Para que serve um assessor de imprensa?

Para facilitar, mediar a comunicação entre a imprensa e o órgão que ele assessora, basicamente. Não fosse o assessor, o caminho até conseguir uma entrevista com o presidente de uma empresa seria mais longo.
Mas o assessor também pode perverter todo o significado dessa profissão e da palavra que a significa e se tornar inacessível – ainda bem, esses são raros, mas valem por dez em matéria de chateação.

Como repórter, devo ter sido mal acostumado com assessores extremamente acessíveis, daqueles para quem se liga diversas vezes em uma hora, se pede as coisas mais complicadas e os detalhes mais precisos; daqueles que nunca desligam o celular e nos fornecem o número dos assessorados. Para mim, mesmo distantes da loucura das redações, um assessor que trabalha dessa maneira continua na peleja de ter hora para entrar, mas nunca para sair – intrínseca ao jornalismo.

Voltando aos assessores inacessíveis, que valem por dez em matéria de irritação. Não consigo conceber um assessor a quem um repórter recorra e se saia com a seguinte pérola: “não estou mais no meu horário de trabalho.” Seria a mesma lógica que um repórter usaria na redação para deixar a matéria incompleta e ir embora após o término de seu expediente – deixando claro que não quero tocar na questão de horas extras ou banco de horas. É uma questão de profissionalismo, assim de tudo – coisa que eu mais prezo, mas quero e mais espero na minha profissão.

Anúncios

A cidade desigual

Não, minha intenção nesse título não é falar sobre as desigualdades sociais que existem em toda metrópole. Essa desigualdade a que me refiro poderia mesmo ser literal se fosse possível colocar Fortaleza numa balança: o lado leste pesaria mais que o oeste pela grande quantidade de equipamentos culturais e serviços lá existentes.

O fenômeno é histórico e tende a continuar. Com o anúncio da construção do novo Centro de Convenções na avenida Washington Soares – e não no Centro histórico, como havia sido dito anteriormente -, a discussão tomou fôlego.

O assessor da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura (Seinf), Marcelo Albuquerque, disse em reunião na Câmara Municipal dos Vereadores que a cidade tem uma dívida histórica com a região oeste. Fazendo paralelos entre os dois lados, dá para perceber que o lado leste é onde ficam os equipamentos que simbolizam morte: o cemitério São João Batista e o Instituto Médico Legal (IML) – profético, não?

Agora estão dizendo que o Centro de Feiras e Eventos – outro equipamento – pode ser instalado no Centro. É evidente que a área oeste precisa de melhorias para abrigar espaços que concentrem muita gente. É uma questão de vontade política dar atenção a este espaço tão esquecido.

Quando passo no Grande Circular 2 pela avenida Radialista Lima Verde, fico imaginando como seria lindo passear pelo calçadão da Barra do Ceará e ver tantas outras pessoas admirando aquele lugar. Quantas pessoas devem conhecer o cruzeiro de Santiago, que fica no Pólo de Lazer da Barra do Ceará? Será que esse monumento que simboliza a chegada de Martim Soares Moreno na terra que mais tarde se chamaria Ceará consta nos catálogos de turismo?

Será que o governador e seus secretários só passam pelo lado oeste quando se encaminham para as praias? Assim como Ceará não é só Fortaleza, Fortaleza também não é só zona leste.

Ronda do Quarteirão e as “frescuras de rabo”

Alguém lembra quando o Ronda do Quarteirão foi anunciado? E a primeira data em que ele deveria ter começado? Não lembro e não tive saco para buscar no Google. Mas a verdade é que já faz tanto tempo que qualquer coisa que se refira ao famigerado programa chama a atenção. Uma vez foi o desfile secreto dos modelos das fardas que seriam escolhidas – propostas por estudantes de Estilismo e Moda que participaram de um edital lançado pelo Governo – e ontem foi a gravação do comercial.
Os dois momentos aconteceram envoltos de mistérios: no primeiro, a imprensa não pôde participar e fez-se segredo sobre o modelo escolhido [espectadores do desfile declararam que foi um cáqui, tradicional] e no outro nenhuma informação foi dada pelo major que supervisionava a gravação [que não quis dizer o nome e ainda disse que estava passando por lá e parou para olhar]. Além de tudo, ainda solicitaram ao repórter fotográfico do O Povo, Dário Gabriel, que apagasse as fotos – foi feito, mas o ato é reversível nas modernas câmeras digitais profissionais e hoje a foto estampa a capa do jornal.

Ora, mas o Ronda não é direcionado ao povo? Então porque não dar esclarecimentos e informar os procedimentos nesse meio tempo em que o programa não é lançado? Fico p… da vida enquanto repórter quando esses oficiais não querem falar, mas mais p… ainda quando eles escondem da população o que estão fazendo com o dinheiro público – afinal, foi com esse dinheiro que eles compraram Hilux com câmbio automático e bancos de couro, mandaram fazer fardas azuis-bebê com boinas, contrataram uma produtora pra fazer o vídeo e outras coisas que eles fazem pelo Ronda com o dinheiro público e mantêm em segredo.

Leia a matéria que saiu hoje no O Povo sobre a propaganda do Ronda do Quarteirão