Ronda nos quarteirões do Pirambu

Ronda do QuarteirãoTardou que tardou, mas agora a coisa anda depressa. Cerca de um mês após o início da fase piloto do programa Ronda do Quarteirão, do Governo do Estado, as belas Hilux com seus policiais trajados em blusas azul-bebê chegam ao querido e histórico Pirambu.

Não vi com meus olhos, mas teve amigo que ficou tão impressionado que fez um vídeo no celular. Há um folder com o número do celular do grupo e a foto dos policiais que atuam aqui, seguidas dos respectivos nomes. Polícia comunitária de verdade, pelo que aparenta. E concorrência para o cara da moto que passa de madrugada apitando aqui na minha rua.

Diferindo

Os policiais ainda fardados nas roupas cor de jumento costumavam conversar só com os motoristas quando adentravam os coletivos de nossa urbe Fortaleza. Os de azul-bebê conversam com os passageiros. Não, nada a ver com a simpatia e a amistosidade de um e de outro. É que a população ainda acolhe a polícia comunitária com curiosidade e vontade de saber mais a respeito.

Apesar da incredulidade que tive logo no início [sem contar na raiva, em alguns momentos] , estou disposta a esperar para ver – e quem sabe dá uma ligada para saber qual é a dos caras…

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Vamos parar para ouvir a voz do Centro!

Fui ao Centro da cidade ontem à tarde com minha mãe. Sempre que se vai ao Centro, algo precisa ser adquirido, na maioria das vezes; comigo não foi diferente. Período de Natal e aquela confusão. Confraternização mesmo só em casa, com roupa nova e ceia com peru e coca-cola. Nas ruas do Centro, a lei é passar na frente pra chegar logo na C&A, acotovelar as pessoas e esculhambar aquelas que ficam estateladas no meio da rua, seja tomando casquinha do Duda’s Burger [que custa R$ 0,99 e é uma droga] ou namorando as TVs de LCD nas vitrines da Insinuante.

Eu e minha mãe passamos um pouco longe dessas intenções – muito embora a rainha do meu lar, aqui e alí, parasse para ver o preço dos DVDs. Fomos na rua Pedro Pereira, famosa por suas lojas de artigos eletrônicos, comprar a bateria do telefone sem fio. Aproveitei para inaugurar meu cartão de crédito novo [artigo maldito que acaba com as nossas finanças, mas que já me tirou do sufoco no paranóico aeroporto de Heathrow, em Londres].

Mãe teve que resolver outros problemas e me largou sozinha no Centro. Confesso que fui namorar as câmeras digitais, mas numa rua menos movimentada, para não ser alvo das pragas do povo, e comprar chinelo de dedo de R$ 10 naquelas lojas de calçados da Floriano Peixoto. Novamente, saco a arma mais perigosa da minha bolsa: o cartão – a essas alturas, sem peso na consciência. Depois, fui comprar um mini dicionário de português, porque todo jornalista que se preza tem que estar em dia com a língua materna.

Com minhas sacolinhas, fui para a Praça do Ferreira. Eram quase duas da tarde e eu procurava um lugar à sombra para sentar. Os bancos da praça estavam lotados, entre quem, atufalhado de pacotes, parou para descansar e quem jogava conversa fora. Quando encontrei espaço, sentei e parei de pensar. Sozinha, não tinha livro para ler e achei por bem [não por precaução] não pegar o mp3. Simplesmente, achei melhor ficar ouvindo o Centro. O arrastar das chinelas no chão de pedra e o farfalhar das sacolas de compras eram constantes. Meninos e homens nos olhavam nos olhos de quando em vez, seja pedindo uma ajuda ou vendendo marujinho.

As duas amigas do meu lado conversavam sobre a despedida de uma delas – chamada Cecília, a propósito – do emprego. Os dois vendedores da Insinuante, do outro lado, fofocavam do amigo que namorava uma garota só porque ela o sustentava. “Eu só namoro uma menina se eu achá-la bonita e interessante”, disse um deles, orgulhoso de sua índole. Também falavam mal de um pedinte, que sempre fica deitado sobre um pedaço de papelão enfrente ao Cine São Luiz, hoje SESC Luis Severiano Ribeiro, julgando-o mentiroso e farsante.

Naquele banco lotado, fiz-me de invisível para observar as pessoas que cruzavam a praça – gente de todos os jeitos -, todas tão donas de si, tão preocupadas com as compras de fim de ano que nem se davam conta de uma necessidade importante, que é a de falar e ouvir. Disso, toda cidade é diversa e, às vezes, a gente nem se toca.

Esqueçamos o barulho das sacolas e a zuada das lojas. Vamos parar para sentar nos bancos da Praça do Ferreira e falar da nossa rotina, das coisas que estão à nossa volta. Elas fazem parte de nós. O Natal passa, a correria passa, as roupas e sapatos se estragam. E nossa alma, como fica?

Todo mundo em cima!

HabitaçãoNunca tinha encontrado a prefeita Luizianne Lins até o mês passado, quando a vi na Câmara Municipal. Como sempre, chegando atrasada nos eventos – isso quando ela vai a eles -, os jornalistas foram todos ao seu encontro no hall atrás do plenário. O evento dava conta da formação de uma comissão GLBTTT (para quem ainda não conhece a nova sigla, Gays Lésbicas, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros – os Ts não necessariamente nessa ordem), mas as perguntas iam além, muitas abordando a possível reeleição (pergunta básica de todo jornalista de política).

Naquele momento, estava somente de passagem pelo local para pegar a repórter Déborah Vanessa, também estagiária do jornal O Povo (eu vinha de uma pauta no bairro Lagoa Redonda) e não interagi com Luizianne. Já hoje foi-me dada a pauta do lançamento do pacote da habitação de 2008, em que ela assinaria os contratos dos seis projetos a serem executados. Minha missão, porém, foi estendida a pedido do jornalista Eliomar de Lima, que me incumbiu de indagar à prefeita qual a sua escolha nas eleições do PT estadual.

Eram umas 17 horas quando Luizianne chegou para o evento marcado para as 16 – atraso razoável… Tão logo botou o pé na sala VIP do Ginásio Paulo Sarasate, onde acontecia o evento, os jornalista a rodearam. Eu quase faço a clássica de largar a pessoa que entrevistava e sair correndo para chegar na outra. A pessoa era não menos que José Pimentel, deputado federal pelo PT, que me explicava os requisitos para obras entrarem no orçamento da união. Gentil e compreensivo, ele percebeu que eu queria ouvir a prefeita.

O resto da imprensa se dera por satisfeita, mas eu sai caminhando ao lado de Luizianne para cumprir minha missão. Segui-a até a entrada do palco, no que ela foi me dizendo o que está postado no blog do Eliomar de Lima.

Palco e alambrado

Havia muita gente no ginásio – tanto quem vai ser benficiado pelos projetos quanto quem ainda não foi contemplado. A maioria querendo agradecer e outros querendo cobrar. Mas o destaque ficou para os primeiros. “Essa é a prefeita do povo, prefeita do povo”, gritava uma mulher na direção de Luizianne. No final, juntaram-se algumas dezenas de pessoas perto do alambrando segurando papelzinhos dobrados. “Eu pedi um emprego para ela, escrevi meus dados no papel”, disse uma moça. Já uma senhora disputava o espaço do gargarejo estendendo a mão para a prefeita. “Fui só pegar na mão dela, acho ela linda.”