Kit de sobrevivência

Pegando emprestado o mote de Maria Espalha Brasa, gostaria de enfatizar o drama das mulheres AND jornalistas desta urbe bandida e renovar a lista de coisas necessária para se carregar numa bolsa feminina [enorme, por sinal – se bem que bolsa de mulher é igual a maleta da Mary Popins…]

– carteira com xerox autenticada do RG e com moedas de 50 e 10 centavos para facilitar o pagamento da meia nos ônibus e topiques [isso se ela não tiver passecard, mas ter os dois é andar prevenida]

– Agendinha com os números dos amigos que você não teve saco para passar para a agenda do celular

– Uma agenda de trabalho que tem desde o número do celular do Marcos Cals até o da presidente do sindicato das secretárias

– Um MP3/pen drive com músicas de bandas de indie rock que AINDA não ficaram conhecidas – e com espaço suficiente para poder gravar as entrevistas da matéria que você vai fazer à tarde

– Uma pranchetinha com papéis para você poder entrevistar a prefeita enquanto ela tenta fugir de você

– O crachá do jornal com a sua pior foto 3×4

– Uma agenda onde você anota as coisas, cola os canhotos do cinema, faz o planejamento financeiro do mês e atesta que não vai dar para comprar seu biquini novo

– Uma bolsinha com lápis, apontador, canivete [nunca se sabe quando se vai ficar presa numa sala e ter que arrombar a porta ou quando se vai abrir uma garrafa de vinho] e umas três canetas que, em breve, serão furtadas pelos seus companheiros da redação

– Uma necessárie com escova de dente, pasta, fio dental, manteiga de cacau, papel higiêncio [pois no banheiro da UFC não tem nem no daquelas festas doidas que você vai no sábado de madrugada], uma cartela de magnésia bisurada [porque todo jornalista que bate nos peito e se assume tem dor de estômago – isso quando não tem gastrite com tendência a desenvolver H Pylori] e duas camisinhas [nunca se sabe quando… ah, você entendeu].

Ainda bem que a moda, ultimamente, tem nos ajudado e desenvolvido bolsas enormes – tão grande que as modelos posam nuas para as campanhas publicitárias. Sinal de que cabe tudo – e de que vão aparecer mais coisas para colocar lá dentro.

Anúncios

Caligrafia? Não. Garrancho

Estava eu em meio à barulhenta redação conversando com uma fonte sobre um assunto diverso quando ele começou a dar opiniões interessantes que poderiam agregar valor à matéria que eu preparava. No final da conversa, pergunto:

– Posso usar isso que o senhor falou na minha matéria?

– Se você estiver gravando, sim, mas se não entender esses seus garranchos, não.

Bufo!

Minha caligrafia da época do colégio vem sofrendo grandes abalos desde que iniciei minha vida de repórter. Hoje em dia, ligo letras que não têm nada a ver – como o traço do ‘t’ com o ‘i’ e o traço do ‘f’ com o ‘r’ e este como ‘i’ para agilizar a escrita. Sem contar que aprendi a escrever sem olhar para o papel. Cada um se supera como pode.

Confesso que, às vezes, alguns de meus garranchos são irreconhecíveis mesmo e tento puxar pela memória. Quando não dá, o melhor é ligar para o entrevistado e repassar o que ele disse.

Uma dica: quem quiser conservar o frescor e a felicidade de ter – ainda – uma caligrafia, deve escrever cartas em vez de e-mails para os amigos. É bom até para relaxar decorando a folha e fazendo envelopes personalizados. Funciona mesmo.

Aprenda a fazer lead com os topiqueiros!

Vamos falar besteira, porque ninguém é de ferro…

Tudo bem, todo mundo reclama da situação das topiques em Fortaleza. Estão sempre lotadas, quando não vão rápido demais vão devagar demais, alguns cobradores e motoristas são ignorantes, a maioria escuta a Liderança blá blá blá. Mas vamos pegar, pelo menos, um fato positivo e conhecido: eles circulam por lugares onde você teria de pegar dois ônibus para chegar. Basta?

Tudo bem, pode ser um ponto positivo em contraponto com vários negativos, mas agora os estudantes de jornalismo e repórteres da cidade podem contar com a ajuda das topiques para uma tarefa fundamental: fazer um lead e um texto objetivo, quesitos que nos são cobrados desde o primeiro semestre da faculdade até a aposentadoria.

Alguém já reparou que os cobradores e passageiros são sempre muito objetivos ao informar seus destinos? Por exemplo: se eu quero descer na primeira esquina depois do semáforo, em vez de eu dizer “Ei, eu desço alí na primeira esquina depois do próximo sinal, tá bom?”, eu digo “Na esquina depois do sinal desce”. Isso é a revolução na titulação das matérias, meu povo! Na primeira, são treze palavras; na segunda, só seis. Acabou-se a choradeira dos diagramadores! Isso sem contar as mais objetivas ainda, tipo: “academia desce”, “esquina do frango desce” e por aí vai.

Nossos heróis topiqueiros [parafraseando a besta do Pedro Bial]  farão escola nas próximas eleições. As possíveis manchetes poderão ser “Luizianne desce” ou “Patrícia sobe” [isso só para variar o verbo; não é partidarismo não], “Moroni cai” [essa é a mais legal…].

Bom, mas chega de besteira por hoje, porque amanhã pode chover e será minha vez de ir para o meio da chuva.

E por falar em chuva, alguém sabe onde fica o Buraco da Véia? Sem putaria; parece que é uma favela que fica perto da Leste-Oeste. Se algum colega conterrâneo souber, me diga, por favor.

Chuva = notícia

Parece que os dias de chuva estão chegando a nossa querida urbe Fortaleza. E com ela, o caos. Nós, na nossa ingenuidade de cidade grande, sofremos os transtornos da barra da calça jeans ensopada e do bonitão da Hilux que se joga numa poça d’água e nos molha completamente. Não muito longe daqui, quem mora perto de canais, lagoas e rios sofrem com inundações, desabamentos e deslizamentos.

Quando o céu escurece no começo do dia, todo mundo fica atento para começar a salvar móveis e eletrodomésticos. Nas redações, os editores ficam atentos. Aí vem mais uma matéria sobre as áreas de risco de Fortaleza. Pois é, todos os anos é assim. E o editor ressalta: os desastres não são culpa da chuva, é culpa da falta de infra-estrutura. Repórteres atentos para não deixar o débito para o clima, mas sim para a cidade torta e mal feita. Ah! E um pouco também nos que cobram, mas não fazem a Fortaleza Bela [dentre elas a anta da minha vizinha que, na chuva anterior a de ontem, jogou o lixo de sua lata na rua para que a correnteza o levasse – creia você].

À tarde, novamente olhos vidrados no céu que, pelo fumê da janela de vidro da redação, aparentava mais escuro do que realmente se tornava. Carro e fotógrafo a postos para, nos primeiros pingos de chuva, nos dirigirmos a alguma área de risco afetada pelo pau d’água.

A chuva não veio, a notícia não veio. Como disse Thiago Cafardo, repórter do jornal O Povo, meus trajes, incluíndo uma sandália rasteira, estavam perfeitos para me arriscar em alagamentos que davam no meio da canela e pegar uma singela leptospirose. Não foi dessa vez. Mas, certamente, meu dia de chuva chegará.

Silêncio, estranho silêncio

Todos os dias, são comuns os barulhos das TVs ligadas nas casas das pessoas à hora da janta. Tanto que, se você quiser sair para ir na bodega comprar pipoca, não perde um segundo dos diálogos da novela, pois cada casa e sua respectiva TV são responsáveis por algumas frases que, somadas a das outras TVs, dão o diálogo completo. Só que hoje, quem foi na bodega, não pôde contar com as frases que sairiam da minha TV.

Há duas semanas, a repórter Raquel Chaves, na redação do jornal O Povo, oferecia um livro de presente, explicando que aquele não era o tipo de leitura de que ela gostava. Aceitei o tal livro e trouxe para casa. Hoje, ele estava sobre a minha cama e foi colhido nas mãos da dona Edvan, minha digníssima mãe, que, mesmo sem óculos e sem nenhuma reclamação sobre a letra dos escritos, pôs-se a ler com um interesse que há muito eu não via nela.

Não foi minha surpresa encontrá-la no sofá da sala, com o Romero, nosso gato, deitado não muito longe no tapete, lendo o bendito livro – e aTV, de ligada, só o stand by. Acabei juntando-me a ela para ler a Universidade Pública, com sua reportagem especial sobre o Estado Novo no Ceará [jornalista precisa saber desses detalhes da História, afinal] . Ela com os óculos pendendo do nariz pontudo, eu esparramada no pequeno espaço do sofá [que só cabe duas maguinhas como nós mesmo]. Assim deve ter seguido uma hora de profunda leitura, com o vizinho colocando músicas antigas do Mark Davis [para os desavisados, era esse o nome artístico de Fábio Jr. quando alguns cantores brasileiros cantavam em inglês].

O desfecho trágico desse momento se deu quando, finalmente, a TV foi ligada no Big Brother Brasil. Paradoxalmente ao meu momento, Gisele cuspiu um “filingue” , numa tradução e pronúncia “livres” [para não dizer estúpida] da palavra inglesa feeling, e Jaqueline disse sobre a pessoa que a tenha indicado para o paredão: “acho que seje ele”. Em vez de paredão, poderia se chamar pasto, de forma a colocar essas duas jumentas.

P.S. Não, eu não acompanho o BBB e, por isso, tenho gravados os nomes das duas criaturas. Simplesmente tenho boa memória. Posso?