Além do feijão com arroz

Quais devem ser os limites entre o ser cidadão e o ser jornalista? Para mim, os mínimos possíveis. Quem vive na rua, conversando com o povo, precisa compreender daquilo sobre o que eles falam – e que, quando chegamos em casa, partilhamos, pois nós, jornalistas, também somos povo.

Passamos quatro anos da nossa vida tomando técnicas de codificação direto na veia e lendo sobre os mais diversos assuntos – às vezes sem tempo para refletir o suficiente sobre eles. Daí, chegamos nas redações e aplicamos aquilo que aprendemos: tentamos ser pouco parciais, ouvir os dois lados, jogar tudo e aplicar a técnica e, puf, sai mais um texto jornalístico.

A rotina do dia-a-dia de convívio com a codificação é capaz de nos  sufocar e matar aquele ser que quer se indignar e questionar de forma apaixonada. Ele deve existir, mesmo que em pequena medida, para que nunca aceitemos como satisfatória qualquer resposta, para que possamos sentir um pouco daquilo que o público sente e perguntar aquilo que eles perguntariam se estivessem em nosso lugar.