A Amazônia bate na nossa cara

Ontem, conversei com minha amiga tawianesa Yi-Ting e mostrei-lhe as fotos que fiz durante minha viagem à Santarém, no Pará, onde tive a oportunidade de conhecer um pedaço da Amazônia. Ao ver a foto de uma imensa lavoura de soja prestes a ser colhida, eis que ela comenta: “tomara que a Amazônia possa ser preservada, porque eu quero vê-la um dia.”

Mais do que o desejo de poder conhecer a floresta durante uma viagem ao Brasil, Yi-Ting também deixa clara a consciência da preservação de um patrimônio ambiental que pertence a todos. Pude conhecer a Amazônia durante o Laboratório Ambiental para Estudantes de Jornalismo, realizado pela Fundação Konrad Adenauer entre os dias 22 e 25 de junho, que reuniu cerca de 20 estudantes do Norte e do Nordeste.

A Amazônia não deve estar somente nos nossos sonhos, mas no nosso pensamento a cada dia. Cada árvore da floresta evapora 300 litros de água por dia. A imensidão de verde da Amazônia, assim, contribui com mais de 20 bilhões de litros d’água, que vão nos refrescar e nos abastecer.

Há uma exploração indiscriminada dos recursos da floresta e também uma ausência de governança. Apenas 43% são áreas protegidas, validadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). O restante pode estar sujeito a ação de grileiros, que a “loteia” como bem querem e a vendem para que as árvores e os animais dêem espaço a lavouras de soja – como a que mostrei a Yi-Ting – de arroz, à pasto para a criação de gado ou à exploração ilegal de madeira.

É importante entender que precisamos da Amazônia, seja para o equilíbrio do clima ou para o nosso sustento. No meio da floresta, há diversas comunidades que dependem dela para sobreviver. Pessoas como o Alciney Feitosa, que produz o couro ecológico a partir do látex retirado da seringueira, “uma vaca leitera bem boa”, e que têm consciência do mal que a exploração desregrada causa.

A Amazônia não é um problema que precisa ser resolvido. É, sim, solução para o futuro do mundo. É uma riqueza que devemos explorar bem para que, um dia, Yi-Ting e tantas outras pessoas possam vir lá do outro lado do mundo para conhecê-la.

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