Fortaleza, te amo, te odeio

Penso Fortaleza como se fosse um namorado, um daqueles para quem a gente olha e se encanta, ama cada vez mais, quer bem. Mas, como em todo namoro, há as brigas, os momentos de raiva. Fico me perguntando: por que um namorado tão lindo como esse não pode ser bom e justo?

Por que Fortaleza não consegue melhorar? Por que os projetos estruturais não andam? Parece, assim, aqueles namoros com promessa de casamento: em 2010, em 2012… Não suporto mais esperar pelo Metrofor, pelo Transfor, pelo antigo projeto Costa Oeste.

Quisera pudesse passar alguns anos fora daqui, acabar o namoro com Fortaleza, me apaixonar por outra cidade, mas voltar um dia para revê-la. Mas sei que não posso acabar essa relação desse jeito.

Ora, Fortaleza precisa de outras namoradas como eu, pessoas que tenham amor e bem-querer por esse lugar. Por que é tão difícil amar essa cidade? Por que as pessoas não pensam duas vezes antes de jogar lixo no chão?

Como em toda relação, deve haver reciprocidade. E esse namorado chamado Fortaleza, para ser sincera, não vem cativando o carinho de suas namoradas…

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A Praça do Ferreira e eu

“Vamos passear na praça?” o convite que o Vida&Arte no domingo passado, 13, me  fez foi irresistível. Nas suas páginas, os relatos sobre diferentes praças da cidade me trouxeram de volta memórias do tempo em que eu, ainda estudante de Jornalismo e estagiária do jornal O POVO, cruzava três praças do Centro para chegar ao prédio da avenida Aguanambi.

De todas as praças do bairro, confesso que a minha preferida sempre foi a Praça do Ferreira – era a primeira do meu percurso até o jornal. De manhãzinha, poucas lojas estavam abertas. As pessoas que passavam por lá seguiam, como eu, para mais uma jornada de trabalho. Eu andava pela praça com uma cara de epifania – até descuidada, perigando tropeçar numa ou noutra pedra portuguesa solta. Indo no sentido da avenida Duque de Caxias, procurava olhar pra trás para ver o Hotel Excelsior e sonhar: ai, como eu queria morar ali… Como não podia deixar de ser, a Coluna da Hora me despertava para apressar o passo.

No fim do expediente, sempre dava um jeito de passar novamente pela Praça do Ferreira. Num desses retornos, encontrei o fotógrafo Jarbas Oliveira clicando o vai e vem do lugar. Noutro, o repórter do O POVO, Tiago Braga, me acompanhou no fascínio de ver, no final da tarde, a fonte da Coluna da Hora ligada, jogando gotinhas d’água no nosso rosto sempre que o vento vinha na nossa direção.

Tais quais os meus, os relatos dos repórteres que visitaram as diferentes praças do Centro são muito pessoais, cheias de lembranças. As praças, pelo jeito, têm o dom de marcar na gente esses momentos singelos. Espero que elas possam ser mais bem cuidadas e preservadas para que nossos pequenos cidadãos, ao chegarem à idade adulta, contem aqui histórias como estas.