Fortaleza de bicicleta

O número de novos veículos circulando nas ruas desta capital alencarina tem aumentado, talvez, quase que exponencialmente. O fato é que possuir carro individual tem sido um dos sonhos mais realizados nos últimos dez anos. Bem, não vou mentir que também quero um dia ter o meu, mas, recentemente, realizei um sonho maior e que vem desde a época do ensino médio: ter uma bicicleta!

Quando criança, desbravava mundos e fundos do Pirambu, Carlito e Bairro Ellery de bicicleta junto a amigos da vizinhança. O fato é que minhas aventuras foram interrompidas quando meu pai decidiu (ele sozinho) vender minha bicicleta. Quando passei a estudar numa escola longe da minha casa, pedi à minha mãe que comprasse uma bike para mim, de forma que eu pudesse me deslocar com mais rapidez entre minha casa e a escola e vice-versa. A resposta ao pedido foi um NÃO bem redondo – não por maldade, mas por temor que minha bicicleta encontrasse o “verdadeiro dono”. Resultado: três anos à pé, ora no sol quente, ora sob chuva torrencial.

Ao contrário do que diz o poeta, tristeza tem fim e, finalmente, consegui minha tão sonhada bicicleta. Veio das mãos de meu namorado, sensibilizado que ficou pela minha história de frustrações sem uma bicicleta (uma pequena lágrima escorre do rosto dos leitores, posso ver!). Comprou-me um modelo muito bonito, com uma pintura branca com vermelho e prata. A novidade para mim ficou por conta das 21 marchas. Detalhe interessante: nunca havia tido bicicleta de marcha.

Fomos para o passeio inaugural. Destino: avenida Beira Mar via avenida Presidente Castelo Branco, a famigerada Leste-Oeste. Pensei que sentiria maior temor dos carros que passavam logo ao lado, mas consegui passar por eles são grandes dificuldades. Aliás, a dificuldade ficou completamente a cargo das marchas. Absolutamente não sabia como usá-las e cometi um pecado fatal: passá-las sem estar pedalando. Estava tensa, é verdade, quiçá aterrorizada! Cheguei ao destino, mas não parava de pensar na volta. Meu namorado já havia me alertado sobre a terrível subida da Leste Oeste, próxima ao Corpo de Bombeiros. Lá fomos nós e, novamente, encontrei-me às voltas com as marchas. Procurava por uma mais levinha, que não me fizesse cansar tanto, mas a realidade é que a primeira, de número 1, fazia minhas pernas doerem tanto quanto a mais pesada, de número 7. Finalmente, passamos pela subida terrível e chegamos em casa. Na avaliação de meu namorado, preciso melhorar muito! Nada que a prática não traga com o tempo.

Superequipada – Ainda não possuo todos os itens necessários a uma pedalada com segurança. Por exemplo, não tenho ainda a sinalização luminosa nem o sinal sonoro (senti falta dela quando tive de passar por trás de um carro que dava ré; o jeito foi gritar…), mas tomei “de empréstimo” o capacete amarelo com preto de meu namorado e um de seus shorts acolchoados (esse sim, diria, imprescindível para que não fiquemos com a poupança dolorida). Além desse material, é muito importante se alongar antes – isso evita dores posteriores e as temíveis cãibras.

Meio pedestre, meio condutor – Ao longo dos dois percursos que até agora fiz junto a meu namorado – que tem anos de experiência de bike pela cidade -, percebi que ser ciclista é um misto de pedestre e condutor. Por exemplo: se você se aproxima do semáforo, o ideal é reduzir a velocidade buscando não parar até que a luz verde de acenda, tal qual os carros fazem, geralmente. Mas se não for o suficiente, pare na faixa (claro, isso também depende do movimento do cruzamento e da localidade). No entanto, também é possível cruzar a faixa para mudar de sentido e pegar outra rua. Nos cruzamentos mais calmos, mesmo que estejamos na preferencial, é necessário dar vez ao motorista (aprendi isso depois de levar carão por ter passado na frente de um carro…).

Percebi que andar de bicicleta em Fortaleza é muito viável. Acho que o que basta é um pouco mais de respeito aos ciclistas e mesmo a implantação do sistema cicloviário, cuja lei já existe (Lei nº9701/10), oriunda de projeto do vereador João Alfredo. Quem sabe, assim, mais pessoas não iriam aderir às bikes!

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