Periferia

A despeito dos condomínios de apartamentos, dos vidros dos carros fechados e das ruas desertas, ela continua totalmente desinibida: a periferia. Pulsa freneticamente, tendo as ruas como veias e o povo como sangue.

O fluxo é deveras intenso. Praticamente em toda porta há alguém na calçada e, recentemente, algumas pessoas passaram a cozinhar comidas regionais e montar uma pequena estrutura na frente de casa para vender pratinhos. Numa esquina, uma churrascaria. Noutra rua, uma lanchonete. E dá-lhe gente batendo perna!

Há quem tema a periferia. Algumas são locais que despontam nas estatísticas da violência noticiada nos programas policiais da TV, mas sua população não só sobrevive como vive – e bem, obrigada: a maioria tem seus empregos, suas formas de lazer, conseguem reformar a casa, comprar um carrinho…

Gostaria que a periferia nunca pudesse ser tomada pelo acesso de isolamento com a rua proporcionado pelos condomínios e que continuasse a tê-la como a extensão da casa. A meninada que o diga: não faltam os rachas, os jogos com bilas e até as arraias (o terror dos fios de telefone e de energia!). E também o devem dizer o pessoal adepto a uma festinha, que armam a churrasqueira na calçada, arrumam cadeiras e mesas e ligam o som (alto, diga-se, porque nada é perfeito…).

Em suma, torço para que a periferia nunca deixe de ser periferia, que as pessoas nunca se desapeguem da rua e que continuem nesse vai-e-vem que dá tanta vida a esse setor especial da cidade.

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