Pirambu sempre lembrado

O Pirambu de padre Hélio e padre Caetano vingou. Hoje somos muitos (26,7 mil por km²!) e o desejo por melhorias nunca acabam. Os números do IBGE que apresentam o bairro como a sétima maior favela do Brasil (segundo dados do Censo 2010) podem levar quem não conhece este lugar a pensar que as coisas estão como dantes, mas muita coisa já mudou por aqui, revelando que não estamos esquecidos nas margens da terra alencarina.

O areal e os morros de outrora deram espaço a ruas pavimentadas (embora o asfalto já esteja deveras gasto), fizemos parte do Sanear I e, hoje, a urbanização promovida pelo Vila do Mar, que renasceu do antigo projeto Costa Oeste, dá um novo aspecto à orla e à autoestima do povo.

Há casas de todo tipo: térreas, duplex, tríplex, com calçada, sem calçada… Convivemos, sim, com o desordenamento – e não é difícil encontrar ruas que vão se estreitando, resultado de casas que avançaram rua à frente. Culpa do povo? Não totalmente. Não existem orientação nem fiscalização que ponham ordem nisso e ajudem as famílias a construírem moradias seguras e saudáveis. Em adição, continua pendente o processo de regularização fundiária.

A pesquisa do IBGE, para mim, não passa um juízo negativo sobre o bairro. Longe disso, abre-nos para uma nova perspectiva: a de que, definitivamente, não dá mais para ignorar as periferias nem isolá-las do restante da cidade. É preciso valorizá-las, investir numa infraestrutura que sirva não só aos de casa, mas à toda Fortaleza.

Tenho certeza de que o quase centenário padre Hélio e o belga padre Caetano se orgulhariam de viver este momento. Porém, nunca se contentariam e buscariam mais. O protagonismo e empoderamento dado ao povo por eles e por outras grandes lideranças funcionam como uma bandeira hasteada com a qual demarcamos nossa presença, para que sempre possamos ser lembrados.

[Texto escrito para a edição de 22 de dezembro do jornal O Povo]

Foto: Deivyson Teixeira/O Povo

Anúncios