Em Brasília, 19 horas

No dia 24 de junho próximo, fazem dois anos que enchi uma mala grande, usei minhas primeiras milhas da TAM e parti em direção à capital federal. Foi uma mudança brusca, mas não desmotivada: vim assumir vaga no funcionalismo público brasileiro.

Assim como eu, centenas de pessoas fizeram e continuam fazendo isso no país todo. E foi assim que me senti contemplada pela frase que o padre diz na missa: “Reuni em vós, Pai de misericórdia, todos os vossos filhos e filhas dispersos pelo mundo inteiro.”

DSCN0604Ainda me lembro da minha admiração ao percorrer de carro a Esplanada dos Ministérios – tudo tão amplo e grandioso  que eu me sentia uma formiguinha naquele vasto gramado. Não demorei muito a aprender a lógica dos endereços e a me mexer pela cidade de ônibus.

Até então, circulava somente pelo Plano Piloto e o traço do urbanista mexeu comigo. Os amplos espaços verdes, com muita grama à frente dos blocos de apartamentos e com muitas árvores, me fazia andar com cara de epifania eterna pela Asa Sul.

Durante nove meses morei em um pensionato feminino. Foi uma época difícil, mas que me proporcionou muitos aprendizados (especialmente no que se refere ao respeito ao espaço comum e à individualidade de cada pessoa) e me deu bons amigos. A saudade da família e a falta de uma referência de lar me machucavam. Ainda hoje, tenho o costume de andar pelas quadras olhando através das janelas, admirando a dinâmica de um típico lar plano-pilotense (acabei de criar o termo rsrs). Imagino que haja quem olhe através das minhas também – hoje sou moradora de uma superquadra.

Confesso para vocês que Fortaleza nunca sai do meu pensamento e que acompanho a dinâmica da cidade diariamente por meio dos relatos dos amigos que ficaram lá. No entanto, agora como cidadã do quadradinho, quero prestar mais atenção na minha nova rotina urbana e contar para vocês o que vejo por aqui.

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