Urbes afora

Jericoacoara (CE)

Para mim, foi impossível olhar pra essa paisagem e não cantar: “Somente por amor…” Me senti num oásis, e de paisagens assim, Jericoacoara está cheia. Localizada no litoral oeste de Fortaleza, Jeri é um parque nacional e conserva um quê de lugar perdido no meio do mundo – a começar pelo acesso à vila, que é feito em uma jardineira. Sobre as areias da praia e em momentos de quase atolamento, chegamos na vila: um lugar por demais simpático, sem calçamento e que fala uma língua diferente a cada esquina. Sim: os estrangeiros estão por toda parte em Jeri – e não falo só em turistas; muitos resolveram se fixar e empreender na vila. O restaurante Leonardo da Vinci é um exemplo: até a atendente (“Mercedes, como en la telenovela”) é de outro país.

Para onde o visitante olhar, verá a aura de paraíso em Jericoacoara. Quem vai por lá não deve dispensar os passeios de buggy. Com muito protetor solar no rosto e nos ombros, embarque na jornada que leva a lagoas incríveis, incluindo a famosa redinha armada dentro d’água – coisa melhor não há! – e à pedra furada.

Gostou? Leia mais sobre Jeri aqui

 

Tibau (RN)

A gente só se dá conta de que chegou a Tibau, cidade localizada no vizinho Rio Grande do Norte, quando percebe que, nos letreiros dos estabelecimentos comerciais, o DDD é outro. Coladinha a Icapuí (CE), a cidadezinha que conta 14 anos de emancipação cativa pelo litoral. Foi por meio de uma oferta de compra coletiva que eu e meu namorado a conhecemos em julho de 2011.

Efetivamente, não realizamos a exploração da cidade. O turismo, vocação estampada nela, ainda não é explorado como poderia ser. Saulo Camelo, dono da pousada em que nos hospedamos, comenta que o prefeito da cidade considera o turismo atividade daninha, enxergando somente problemas, em vez de soluções.

A praia, com um mar rasinho e de ondas gentis, é o grande atrativo, sem dúvida. A tranquilidade e o silêncio também são dois dos principais ingredientes do local. Por outro lado, a construção sem critério é regra por lá. Praticamente todas as edificações à beira mar estão a poucos metros do mar, reduzindo significativamente a faixa de praia. Outro ponto negativo é o descontrole sobre a circulação de veículos: buggys e quadriciclos teimam em se misturar aos banhistas.

Ficou em nós a vontade de voltar e, igualmente, o desejo de que possamos encontrar uma Tibau melhor organizada.

>> Para se hospedar, indico o local onde ficamos: www.pousadabeijomar.com

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Uma urbe é uma urbe

Parece que as praças de uma cidade têm a mesma função em qualquer lugar. Em Fortaleza, a praça que mais me desperta carinho é a Praça do Ferreira – nome em homenagem ao boticário que tinha uma farmácia ali perto [desconfio até que seja a Oswaldo Cruz, que ainda mantém sua arquitetura original]. O lugar funciona como o coração da cidade: assim como o sangue, todos os habitantes passam por lá pelo menos umas cinqüenta vezes no ano [tá bom, eu chutei esse número…] .

A praça também é palco das manifestações mais diversas – do artista de rua que coloca uma laranja inteira na boca ao pedinte que deita-se no chão e sacode o copo de moedas. Do senhor que vai discutir os rumos do campeonato cearense de futebol ou esculhambar a prefeita até os vendedores de loja que vão falar da namorada dos outros. Tem também os promotores de cartão de crédito, que pedem nossa atenção e o número do nosso CPF no mais rápido olhar que lançamos a eles.

Para momentos de diversão democrática, a praça é o lugar  ideal. É lá onde são sempre realizados os aniversários de Fortaleza. Inclusive, um deles me marcou literalmente durante algum tempo: escorreguei e cai no chão, o que me deixou um roxão meio esverdeado na perna, que levou um mês para sair. O lugar também é palco das manifestações do Crítica Radical e de outros que querem demonstrar sua insatisfação com o rumo das coisas.

Coisas diferente não vi em Londres, quando estive lá em julho passado. Entre as praças em que estive, a que mais lembrou minha Praça do Ferreira foi a square  do National Gallery. Presenciei lá bandas de música tocando para um público alegre por estar no meio do gentil sol inglês e manifestação de chiprianos residentes no país.

Estão vendo? Uma urbe é uma urbe em qualquer lugar.

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O mundo está falando. Você está ouvindo?

O título deste post é o slogan do site Global Voices, que reúne artigos de pessoas de todos os cantos do mundo. Dentre os países representados, quero destacar um: Paquistão, o que está hoje na capa dos jornais por conta do assassinato da ex-primeira ministra e líder política Benazir Bhutto. Na quele país, o presidente Pervez Musharraf impôs grandes restrições à prática do jornalismo. Para não se calar, o povo fala através de blogs – são esses os principais veículos de notícias do país. Mesmo assim, os censores encontraram uma forma de agir contra as vozes e bloquearam o IP de sites provedores de blogs como o Blogspot – este de que me utilizo. Felizmente, a ação pôde ser revertida pelo grupo que gerencia o site, Google Inc., que modificou o IP de forma que os blogs sejam novamente acessados.

A força de vontade do povo paquistanês me fez ponderar. Quando nos encontramos em situações de emergência, conseguimos nos superar utilizando as mais variadas ferramentas que tivermos nas mãos. Enquanto a maioria de nós utiliza o blog para dividir nossos pensamentos subjetivos e afagar nossa vaidade e amor próprio, povos injustiçados como o do Paquistão expressam sua indignação e protesto. A Imprensa é mesmo um poder muito machucado…

Confira os blogs Don’t Block the Blog e Teeth Maestro, que tratam de assuntos do Paquistão, dentre eles a questão da censura à imprensa.

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